Que história sua casa está contando?

Qual imagem você faz quando ouve a palavra casa? Será que seus ouvidos escutam a voz do “Poetinha” cantando “era uma casa muito engraçada”? Quais recordações preenchem seu coração? Por ventura algum cheiro invade seu nariz? Você ouve algo familiar?

A casa, segundo Bachelard, nos remete ao sentido de intimidade; é, assim, espaço de abrigo, de sonho, de recordações... Nas palavras deste filósofo, “a casa é o nosso canto do mundo”. Por este motivo é preciso reconhecer como habitamos tal espaço. Reconhecer é perceber as relações estabelecidas com a casa. É saber como habitamos este “canto do mundo”.

Então, se nossa casa é o nosso canto do mundo, as impressões que recolhemos deste mundo constituem nossa intimidade. Ou seja, os móveis, os objetos, as cores, as texturas, etc., que escolhemos constituem uma história. A nossa. Nossa casa conta nossa história.

Que história sua casa está contando agora?

Que tal tirar um tempinho para ouvir?

Proponho a você um passeio por sua casa.

Brinque de ser visita. Levante-se do sofá e vá para fora. Tente se imaginar como sendo uma visita que nunca entrou na sua casa. Então, qual impressão ela dá?

Agora, entre. Que tal?! “Ai, que delícia!”, “Ui, que frio!”, “Ai, que escuridão!”, “Hum, que casa aconchegante!”... Qual é a sensação? Vá entrando. Entrando, observando, sentindo. Perceba as cores, as texturas, os cheiros, a luminosidade... Perceba o que neste espaço não se relaciona mais com você. O que é atual?

Perceba o que sente, o que não sente; o que gosta, o que não gosta; o que ainda quer, o que não quer mais... Ouça as histórias que sua casa conta...

Então, que tal? Gostou? Não?

Aconselho fazer um registro dessa andança. E, se porventura não gostou do que “ouviu” e viu: mude.

Comece fazendo uma lista do que precisa ser feito; ou do que quer fazer. Decida o que permanece. Retire o que não quer mais. Doe. Recicle. Abra espaço para o novo. Conviva, por algum tempo, com este espaço. Desta convivência muita conversa pode surgir. Sinta. A pausa é importante pois evita uma substituição apressada e, muitas vezes, desnecessária. Calmamente, com cuidado, coloque os objetos desejados, modifique a ocupação dos espaços... Brinque. Divirta-se. Escreva novas histórias e permita-se estar no mundo de outro jeito.